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Alcântara

Apesar de possível desde 1918 depois de feitos trabalhos de drenagem no cais de Alcântara, o crescimento da circulação de passageiros torna obrigatória, a partir de 1927, a atracagem de todos os navios de passageiros que, até aí, faziam o desembarque ao largo do rio Tejo e acentua a necessidade de instalações modernas adequadas e condignas para o efeito. Abandonado, por motivos geotécnicos, o inicialmente preferido projecto para a gare central do Cais do Sodré, são finalmente encomendados em 1934, ao arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, protagonista maior da arquitectura modernista portuguesa, os projectos para as gares marítimas de Alcântara e da Rocha Conde d’Óbidos. Uma certa hesitação inicial e o início da Segunda Guerra Mundial acabaram por atrasar a conclusão da obra da primeira que foi somente inaugurada em 1943 com a chegada de um navio de refugiados. A neutralidade portuguesa no conflito traz assim um novo protagonismo a Lisboa como ponto de refúgio e passagem que compensa a descida abrupta no fluxo de turistas, sentida a partir de 1941. A segunda será inaugurada somente em 1948.

As gares seriam inovadoras no país, devendo constituir uma “porta de entrada” impactante nos passageiros. Pardal Monteiro revelou-se defensor da aplicação de técnicas modernas para que se realizassem obras adequadas ao espírito do tempo e procurou um esquema arquitectónico marcado pela escala dos volumes, com uma estética despojada e racionalista. Para a decoração das paredes das grandes salas de espera do primeiro piso, volta a chamar José de Almada Negreiros com quem já tinha trabalhado noutros projectos. Na gare de Alcântara, Almada opta pela representação de lendas e poemas portugueses ligados ao mar, assim como de aspectos da vida de Lisboa junto ao rio.

“Creio não haver antes cumprido melhor,
nem feito obra que fosse mais minha”.

José de Almada Negreiros acerca dos murais
da Gare Marítima de Alcântara.

Desactivada progressivamente com a decadência dos transportes marítimos de carreira, a Gare Marítima de Alcântara foi classificada como Monumento de Interesse Público em 2012 e alberga, desde Abril de 2025, juntamente com a Gare da Rocha Conde d’Óbidos, o Centro Interpretativo Murais de Almada que dá a conhecer a história das gares, assim como a vida e obra de Almada Negreiros.